Internet, será que a lentidão irá evoluir para um encongestionamento?

Os jogos de Pequim marcaram a história olímpica pelos números grandiosos. Foram 10.708 atletas, 70.000 voluntários e 42 bilhões de dólares em investimentos, a maior verba de todos os tempos.

Outros resultados expressivos e surpreendentes foram vistos na intemet. Pela primeira vez na história, os direitos de transmissão pela rede foram vendidos separadamente. A emissora americana NBC, dona do pacote para exibição online nos Estados Unidos, transmitiu nada menos que 2.200 horas de esportes, ou 30 milhões de vídeos. Parece muito? Pois isso. é meramente um oitavo do volume diário trafegado pelo gigante YouTube.

Até mesmo as emissoras de TV aprenderam a lição. A própria NBC, em parceria com a Fox, lançou o síte de vídeos Hulu para exibir programas e filmes – e vender publicidade. Com imagens de boa qualidade, uma extensa programação e menos de um ano de vida, o Hulu entrou para a lista dos dez maiores sites de vídeo americanos. O ano que está terminando marcou a explosão dos vídeos online – e levantou um alerta ao redor do mundo: será que a internet vai agüentar o tranco?

Os usuários finais respondem hoje por 70% do tráfego total da internet e são os que mais pressionam a infra-estrutura da web. Programas de campartilhamento de músicas – os chamados sistemas peer-to-peer, jogos online e transmissão de vídeos pela internet representaram um total de 4,2 exabytes por mês na rede em 2008. Isso equivale a quase 1 bilhão de DVDs. Esse volume deve quadruplicar até 2012, segundo um estudo da fabricante de equ¬pamentos de rede Cisco.

O motor para o crescimento do consumo serão os novos serviços multirnídia. Embora muitos dos novos serviços ainda não estejam disponíveis para todas as regiões (o Hulu não pode ser acessado do. Brasil, por exemplo), já são 137,5 milhões os intemautas que assistem a vídeos pela intemet, número que vai se aproximar de 190 milhões em 2012, segundo a empresa de pesquisas ComScore. “As redes de hoje não conseguirão lidar com as demandas de tráfego do futuro”, afirma Alan Mauldin, analista da empresa de pesquisas TeleGeography Research. “As operadoras precisarão investir muito para aumentar sua capacidade.”

Em tese, as empresas de telecomunicações deveriam entrar em um novo ciclo de pesados investimentos de infra-estrutura, pois quando as redes atuais foram construídas a expectativa era que os vídeos demorassem mais tempo para ganhar popularidade.

Mas, em tempos de crise financeira mundial, não existem garantias de que isso vá ocorrer, o que aumenta as preocupações com eventuais congestionamentos da intemet ao longo dos próximos anos. Uma possibilidade aventada é a diminuição da margem de segurança do tráfego da web em relação. à capacidade da rede. A maioria das operadoras trabalha com folga de cerca de 30% de sua capacidade. Essa banda extra é usada em picos eventuais. Já se fala na indústria em reduzir essas margens a cerca de 20% da capacidade instalada.

A mais polêmica das alternativas é acabar com o princípio da neutralidade da rede. Se as redes fossem estradas, as operadoras gostariam de criar pistas expressas, nais quais é cobrado pedágio. Dessa forma, produtores de conteúdo ou prestadores de serviço poderiam ver seu direito de passagem garantido até o usuário final. Sistemas de troca ilegal de arquivos, como o cada vez mais popular BitTorrem, não.

As operadoras argumentam que os investimentos nas redes são enormes, e esse custo tem de ser dividido. Os defensores das redes neutras. nas quais não há distinção. entre os bits que por elas trafegam. rebatem: o pedágio sufoca a inovação. Uma empresa como o Google certamente não teria condição de pagar pela pista expressa no inicio de sua vida. Teria chance reduzida de alcançar a importância que tem hoje, portanto.

Mas a ameaça do congestionamento na intemet parece ser tão iminente que o próprio Google, notório defensor do princípio da neutralidade, estaria disposto a entrar em negociação com operadoras e provedores de acesso. para não arriscar a ficar desconectado dos intemautas.

Em 2009, a pressão estará sobre operadoras, provedores de acesso e sobre os governos, responsáveis pelas regras de uso das redes. Os consumidores já deixaram claro que querem conexões cada vez mais velozes, capazes de levar e trazer músicas, filmes e programas de TV com qualidade e comodidade. A questão é como fazer isso de forma economicamente viável, sem prejuízo à concorrência e, acima de tudo., a tempo de evitar um apagão da web.

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