O empreendedor e a formação de um visão de sucesso

A teoria visionária de L J. Filion (1991) nos ajuda a entender como se forma uma idéia de produto e quais as condições para que ela surja. Ela diz que as pessoas motivadas a abrir uma empresa vão criando, no decorrer do tempo, baseadas na sua experiência, idéias de produtos. Tais idéias, a princípio, emergem em estado bruto e refletem ainda um sonho, uma vontade não muito definida. Ou seja, ainda não sofreram um processo de validação, podem ainda não ser um produto.

O futuro empreendedor, para aprofundar-se em sua idéia (ou idéias) emergente, procura pessoas com quem possa obter informações para aprimorá-la, testá-la, verificar se é um bom negócio. Procura também ler sobre o assunto, participar de feiras, eventos. Ao obter tais informações, a pessoa vai alterando a sua idéia inicial, agregando novas características, mudando alguma coisa, descobrindo ou inventando novos processos de produção, distribuição ou vendas. E, ao modificar o produto, vai atrás de novas pessoas, livros, revistas, feiras, etc. É um processo contínuo de conquistas de novas relações. E esse processo é circular na medida em que tais relações irãocontribuir para melhorar o produto, alterando-o … e assim por diante.

Para Filion, essas idéias iniciais são visões emergentes. Prosseguindo em sua busca, vai chegar um dia em que o empreendedor sente que encontrou a forma final do produto e já sabe para quem vendê-lo. Nesse momento, ele acaba de dar corpo à sua visão central, ou seja, tem um produto

Esse é o processo de formação da visão. Visões emrgentes levam a novas relações (nos níveis secundário e terciário), que, por sua vez, contribuem para aprimorar a visão emergente inicial (o produto). Novas relações são estabelecidas em razão do novo produto, e assim por diante, até que seja atingida a visão central, que pode ser fruto de uma ou de várias visões emergentes.

Mas para desenvolver o processo de formação da visão, o empreendedor tem que se apoiar em alguns elementos. O principal deles são as chamadas relações. Mas ele tem que trabalhar intensamente, sempre voltado para os resultados. O alvo não é o trabalho em si, mas o resultado que dele advém. Filion chama isso de Energia

Deve o empreendedor ser uma pessoa com autonomia, autoconfiança. Tem de acreditar que pode mudar as coisas, que é capaz de convencer as pessoas de que pode conduzi-las para algum ponto no futuro. Filion chama a isso de Conceito de si. Deve ainda possuir a capacidade de convencer as pessoas de que sua idéia é ótima e de que todos vão beneficiar-se dela. Enfim, deve saber persuadir terceiros a o ajudarem a realizar o seu sonho. É o que Filion chama de Liderança.

E, lógico, é exigido de tal pessoa conhecimento do setor que irá atuar.

Por fim, Filion se refere à Visão complementar, que trata da gerência da empresa, da organização e controle das diversas atividades administrativas, financeiras, de pessoal, etc. Através da visão complementar é que se criará a estrutura para que o produto seja vendido aos clientes, da forma mais eficaz possível, gerando os resultados esperados (viabilidade, consolidação, crescimento, altos lucros).

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