RFID chega aos laboratórios farmacêuticos

A Identificação por Rádio Freqüência (Radio Frequency Identification – RFID) está transformando a cadeia de suprimentos, com empresas como Wal-Mart e Tesco liderando o caminho. Agora a indústria farmacêutica está considerando a tecnologia como uma forma de garantir seus produtos e ganhar confiança ao longo da cadeia de demanda.

Se o Food and Drug Administration (FDA) alcançar seu objetivo, todos os medicamentos serão marcados com chips RFID até 2007. Desta forma, os medicamentos podem ser rastreados eletronicamente, mantendo o “pedigree” do medicamento ao longo da cadeia de suprimento. Desde o fabricante, através do processo de distribuição até as farmácias e finalmente no armário de medicamentos do consumidor, a integridade do medicamento será mantida, evitando a falsificação de medicamentos. Devemos acrescentar que isto também abre uma porta para grandes melhorias na forma pela qual as indústrias farmacêuticas e drogarias se relacionam com os pacientes.

A Organização Mundial de Saúde estima que até oito por cento dos medicamentos mundiais são falsificados, e em alguns paises isto pode ser até a metade. Os Estados Unidos possuem o mais seguro suprimento de medicamentos do mundo, mas de acordo com o FDA, medidas pró-ativas devem ser tomadas.

” Possuir um pedigree é a melhor forma de proteger os medicamentos”, diz o Dr. Paul Rudolf, conselheiro sênior do FDA para política médica e de saúde. “O papel é utilizado agora, mas os pedigrees eletrônicos são mais seguros”. Nome do medicamento, forma de dosagem, concentração, tamanho da embalagem, nome/endereço do fabricante, local do carregamento, datas de transação e outras informações – hoje todas mantidos como registros em papel – podem ser rastreados eletronicamente.

A indústria cuida do problema da implantação do RFID

Todos participantes ao longo da cadeia de suprimentos da indústria farmacêutica estão tomando providências para fazer o trabalho. A Accenture criou um grupo funcional cruzado para trabalhar com o FDA e as empresas participantes para ter RFID ajustado e funcionando até 2007.

“Enquanto que iniciativas individuais de RFID podem trazer algum benefício, os benefícios mais substânciais aparecem quando os parceiros de negócio dentro da cadeia de suprimentos estão mais coordenados sob o ponto de vista de processo e tecnologia, e os valores e princípios buscados são consenso de todos,” comenta James Hintlian, sócio da Accenture na prática de Saúde e Ciências de Vida. As empresas participantes incluem Procter & Gamble, Pfizer, Barr Pharmaceuticals, Abbott Laboratories, McKesson, Cardinal Health, CVS e Rite Aid.

Benefícios do Consumidor com o uso do RFID

O principal foco do programa de RFID farmacêutico está em compreender como proteger a cadeia de suprimentos dos medicamentos e melhorar a eficiência operacional. Contudo, “a indústria em todos os níveis acredita que há benefícios além de somente a luta contra a falsificação”, afirma Rudolf.

” Em longo prazo, a beleza da tecnologia RFID é que ela pode identificar coisas de formaú nica, mesmo diferentes frascos dentro da mesma fábrica”, acrescenta Jeannie Tharrington, porta-voz da Procter & Gamble. “Isto será muito importante para recalls de produtos”. As empresas poderão ser capazes de rastrear itens de recall individualmente por todos os caminhos da cadeia de suprimentos. Além disto, se todos são etiquetados, podem-se disparar alertas aos farmacêuticos sobre a mistura de certos medicamentos.

Hintlian diz que tudo se resume em dar ao paciente uma experiência de confiança. A RFID pode ajudar no ponto de venda quando, por exemplo, um paciente com múltiplas prescrições esquece um frasco quando pega o pedido, ou acidentalmente leva o frasco de outra pessoa para casa.

Além disso, a RFID pode eventualmente dar legitimidade ao canal Internet. Enquanto hoje a maioria dos medicamentos vendidos na Internet são no mínimo inseguros, com a tecnologia de rastreamento os compradores podem fazer compras com segurança pelo rastreamento do pedigree de cada frasco.

Como está evoluindo a implantação do RFID

Os testes pilotos começaram em julho para a Procter & Gamble, quando ela incluiu chips RFID em seus medicamentos Asacol e Actonel. “2007 é um desejo, mas não estamos definindo um prazo rígido até aprendermos mais com os pilotos”, afirma Tharrington. O objetivo, diz ela, é “tornar a idéia mais útil para o consumidor final, para que compre o produto certo, na dose certa e no tempo certo”.

O distribuidor de medicamentos McKesson também começou recentemente a despachar alguns produtos etiquetados, e continuará a expansão conforme mais parceiros de distribuição adotem a iniciativa, comenta Ron Bone, vice-presidente sênior de suporte a distribuição na McKesson.

O lado negativo do RFID

A tecnologia não está livre de falhas. Os que defendem a privacidade estão preocupados que a RFID possa permitir uma cultura “Big Brother“. Para lidar com isto, a comissão de negócios norte-americana (Federal Trade Commission) está pesquisando as implicações na privacidade de misturar a RFID em um ambiente de saúde já sensível a questões de privacidade. Ela promoveu um workshop em junho para defensores da privacidade, fornecedores de tecnologia e executivos para compartilhar suas opiniões e experiências.

E também para a adoção regular da RFID ser implantada na indústria, os preços devem cair. “Estamos buscando algo como um centavo de dólar por etiqueta” para ser capaz de implementar um programa de amplo alcance, diz Tharrington. E Robert Alexander, consultor do Peppers & Rogers Group, acrescenta que “a próxima tarefa é garantir que o impacto do custo não seja empurrado para o paciente”.

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