Varejo, tendências irreversíveis

Há algum tempo temos observado um avanço enorme na capacidade dos governos, tanto federal quanto estadual, de fiscalizar e cobrar os impostos. O avanço da tecnologia da informação nos sistemas de apuração como a TEF, o cruzamento com as informações dos cartões de crédito, notas fiscais eletrônicas, etc.. são evoluções que vêm se acumulando a favor dos instrumentos de controle dos governos, aprimorando sua capacidade de análise. Essa evolução, porém, está longe de chegar ao fim.

Os governos sabem que aumentar as alíquotas dos impostos é praticamente inviável. Por outro lado, infelizmente, não estão dando nenhuma indicação de que vão reduzir os seus gastos. A saída, portanto, é cobrar de quem não está pagando. E os resultados têm sido inegáveis: lemos todos os meses nos jornais que a arrecadação do governo só aumenta, a taxas anualizadas são superiores a 10% – muito acima do crescimento do PIB.

Os governos estaduais, dentre eles o de Minas Gerais e do Rio de Janeiro contrataram empresa de consultoria para assessorar suas secretarias de Receita na análise inteligente da arrecadação por empresa. Palavras do secretário de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, no Clube dos Diretores Lojistas (CDL): “Queremos que o fiscal chegue à empresa já sabendo o que vai pegar”. E ainda: “O estado do Rio de Janeiro está muito atrasado no uso da informática apoiando a fiscalização”. Levy complementou: “Quem não paga os impostos atrapalha quem paga”. Com isso, os dois estados, em menos de um ano, passaram de déficit para superávit orçamentário.

A ação da Polícia Federal, coibindo a fraude, fiscalizando até os próprios fiscais, através de escutas telefônicas e quebra de sigilos bancários, são exemplos marcantes. E junto com todo esse aumento da atuação “Big Brother” do Estado, está a criminalização do ato de sonegar os impostos.

Não me proponho aqui a ficar discutindo o absurdo das alíquotas dos impostos a que chegamos. Ou sobre a falta de apetite dos governos em reduzir suas despesas e passar a gastar bem. Infelizmente, não vamos ter, a curto prazo, avanços nessa área na mesma velocidade do apetite arrecadador do Estado. O que fazer então?

Para sobreviver, em qualquer tipo de atividade empresarial, há duas alternativas:

  1. Ficar pequeno dentro do Simples;
  2. Crescer muito para ter economia de escala e margem de contribuição, para ter um pequeno lucro, após o pagamento dos altos impostos.

A segunda alternativa é inviável sem uma melhoria considerável na capacidade de gestão das empresas. É preciso buscar profissionais competentes no mercado, eventualmente, sem experiência no setor de varejo, mas com sólida formação em administração de empresas, gestão de pessoas e desenvolvimento de talentos. Por outro lado, é necessário dar atenção em transmitir para estes profissionais a cultura de varejo e as peculiaridades da empresa, assim como de seus mercados. Também é preciso ter um pouco de paciência para esperar que elas absorvam essa cultura e passem a contribuir.

Alguns processos e ferramentas também precisam ser aprimorados:

  • Sólido controle financeiro. Planejamento, orçamentos, acompanhamento das receitas e das despesas, buscan do o aprendizado contínuo para vender mais e gastar menos através da melhoria contínua dos processos. Gerenciamento do fluxo de caixa;
  • Marketing, Posicionamento, Branding, Localização das lojas, Comunicação, Política de preços, Gerenciamento de categorias;
  • Gestão da disponibilidade e dos estoques, Gestão das compras e dos fornecedores;
  • Planejamento fiscal: acompanhamento das constantes mudanças para não desperdiçar;
  • Gente: alinhar, engajar, avaliar, para que todos estejam aprendendo e contribuindo na direção das necessida des da empresa;
  • Arquitetura e “Visual Presentation”;
  • Internet: site e e-commerce (se for o caso).

O processo de crescimento pode e vai ser facilitado por outra tendência muito forte: a fusão de várias empresas que gerem sinergia. No setor de shopping centers temos visto um forte movimento de abertura de capital e de consolidações. Acho que o mesmo vai acontecer mais cedo ou mais tarde no varejo.

Fica então o desafio: escolher o que desejamos ser e nos preparar para atingir nosso obietivo.


Fonte: Empresário Lojista 826, Frederico Luz

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.