Voto nulo não anula eleição! Não caia nessa…

As empresas dependem da situação econômica geral para prosperam (e até para sobreviverem…) Por isso, todo empresário deveria estar preocupado com o cenário político brasileiro e alerta para as mentiras (atualmente chamadas de fake news) contadas e repetidas com frequência pela Internet.

Hoje vamos desmascarar uma delas: a de que se mais da metade dos votos forem nulos, a eleição será anulada.

Voto nulo não anula eleição

Vem chegando a época de eleição e, graças à Internet, somos assolados por mensagens eletrônicas informando que “Se mais da metade dos votos forem nulos ou brancos, será feito uma nova eleição sem que nenhum dos candidatos originais possa concorrer. É a nossa chance de botar essas canalhas para fora!”

Isso é uma informação falsa. Pode ser fruto do desconhecimento do Código Eleitoral por parte de quem divulga e replica essas mensagens. Mas pode ser algo ainda pior: manipulação dos eleitores por parte de grupos que querem que poucos eleitores votem…

A realidade é que se mais da metade dos votos forem nulos ou brancos, a eleição não será cancelada e será eleito o candidato que tiver mais votos mesmo que tenha apenas um, o dele mesmo!

Nossa Constituição Federal diz claramente no seu Art. 77, parágrafo 2º, que é eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos (somente), excluídos os brancos e os nulos. Todo o resto é boato e mentira.

Quem ganha falando para as pessoas anularem o voto

Quando a pessoa anula ou vota em branco, ela está deixando de participar da eleição e permitindo que menos pessoas (votos) escolham os candidatos vencedores.

E o ato de deixar que menos pessoas escolham quem irá vencer as eleições é particularmente ruim em um país como o Brasil que tem dois tipos de eleições, a majoritária e proporcional.

Vamos ver rapidamente como funcionam os dois tipos de eleições e você poderá entender como anular o voto (ou votar em branco) é ruim e permite verdadeiros engodos eleitorais, principalmente nas eleições proporcionais:

  • Eleição majoritária: utilizada na escolha do Presidente da República, Governador de Estado, Prefeito e Senador. O candidato que obtiver a maioria dos votos válidos é eleito. É possível votar no candidato ou no partido dele;
  • Eleição proporcional: utilizada na escolha na escolha dos Deputados Federais e Estaduais e Vereadores. É possível votar no candidato ou no partido dele. No entanto, para sabermos os vencedores:
    • Dividi-se o total de votos válidos (excluídos os nulos e em branco) pelo número de vagas (cadeiras) a serem preenchidas. Daí sai um número de votos que é necessário para conquistar uma vaga; esse número é chamado de coeficiente eleitoral;
    • Os votos válidos dados ao candidato ou ao partido dele são somados e atribuídos ao partido;
    • Os votos atribuídos ao partido são divididos pelo coeficiente eleitoral (número de votos necessários para conquistar uma vaga). Quantas vezes estiver o coeficiente eleitoral estiver contido dentro desses votos, o partido elegerá de candidatos;
    • Os candidatos eleitos dos partidos serão aqueles que obtiverem o maior número de votos individualmente.

Já percebeu como os eleitores podem ser manipulados nas eleições proporcionais? Não?

Então vamos a um exemplo prático de uma eleição hipotética:

Vagas a serem preenchidas:22
Número de votos válidos:2.354.782
Votos para eleger um candidato (coeficiente eleitoral)107.036
Partido ANo. VotosPartido BNo. Votos
Candidato 16.567Candidato 1789.452
Candidato 244.057Candidato 21.947
Candidato 359.506Candidato 32.036
Candidato 41.416Candidato 41.126
Candidato 561.931Candidato 5120
Candidato 650.234Candidato 61.764
Candidato 779.278Candidato 7254
Candidato 844.603Candidato 83.818
Candidato 920.869Candidato 92.765
Votos no partido56.159Votos no partido4.157
Total de votos424.620Total de votos807.439
Candidatos a serem eleitos4Candidatos a serem eleitos8

Percebemos que embora o Partido A tenha candidatos que individualmente recebam uma boa votação, a soma total dos votos deles mais os votos do partido chega a 424.620 e isso é suficiente para eleger apenas 4 candidatos.

Já o partido o B tem a expressiva soma de 807.439 votos atribuídos a ele, o que é suficiente para eleger 8 candidatos. No entanto, apenas 1 candidato desse Partido tem 789.452 votos (somente os votos deles elegeriam 7 candidatos). A votação de um candidato é capaz de eleger mais outros 6. É o chamado candidato puxador de votos!

Partidos que tenham candidatos impopulares, com denúncias de corrupção e outras coisas desabonadoras, costumam muito usar candidatos puxadores de voto. Fazem isso colocando artistas, jogadores de futebol ou esportistas famosos ou até mesmo “incentivando” o voto protesto: induzir o povo a votar em um candidato caricato, como suposta forma de protesto, com a intenção de, na verdade, conseguir um grande número de votos para eleger candidatos que o povo jamais pensaria em votar.

O exemplo mais recente e marcante da prática de usar candidatos puxadores de voto, é do PR com a eleição do Tiririca: devido aos votos de “protesto” que o Tiririca teve, foram eleitos vários outros candidatos que, dificilmente, o povo votaria e muito estão implicados na Operação lava-jato.

foto do tiririca como candidato
Tiririca foi usado para conseguir eleger candidatos que poucas pessoas tolerariam votar

Afinal que foi o “palhaço” nessa história? Muito provavelmente o povo que acreditou achou que protestar na hora de votar era o correto a ser feito..

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